Onde a falta de vocação mais se faz sentir

Se a falta de vocação faz toda a diferença para quem exerce qualquer profissão, existem duas onde ela mais se faz sentir. Todos nós, ao longo da vida, uns mais atentos outros menos, somos confrontados com pessoas a exercer determinados serviços para os quais é bem visível não terem vocação. Dirão alguns mas isso é normal! Claro que é! Se forem trabalhadores de uma qualquer empresa cabe aos gerentes saber se os devem manter ou não. Se trabalharem por sua conta serão os próprios a sofrer as consequências dessa falta. Até aí tudo normal, mas existem situações em que as coisas não funcionam assim.

As duas classes a que me refiro e, onde em meu entender tal não devia acontecer são as classes médicas e de enfermagem. Depois do décimo segundo ano basta possuírem os valores que tornam possível o acesso a essas carreiras, tal facilitismo, por vezes, acarreta consequências que mais tarde se fazem sentir com prejuízo na maioria dos casos para o serviço nacional de saúde e, sobretudo para os doentes que se sentem impotentes quando confrontados com tal situação em que o transtorno emocional provocado chega a ser de tal ordem que só quem alguma vez o viveu sabe o que custa…

Se, são uma minoria os profissionais que exercem estas profissões para as quais não tem vocação, talvez fosse fácil de resolver se, para tal, mesmo possuindo os valores que dão acesso a essas carreiras fossem sujeitos a um teste de vocação. Será difícil de implementar talvez! Mas todos teriam a ganhar, mesmo alguns a quem o acesso fosse vetado, como pessoas inteligentes que são, certamente escolheriam outra área onde pudessem vir fazer aquilo para que tem vocação, e quem faz o que gosta na vida esta torna-se sempre mais fácil.

Sou possuidor de algumas doenças crónicas entre elas a asma que já me faz companhia há cerca de trinta e cinco anos, o que me leva a quando o inverno chega, normalmente, tenha de recorrer ao hospital, durante todos estes anos, algumas vezes, tenho sido confrontado com situações difíceis, que me escuso a relatar pois seria lembrar momentos de sofrimento, talvez por isso este meu reparo na tal falta de vocação, de alguns médicos.

António EJ Ferreira

 

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