As luzes que se viam da serra

Naquele dia, manhã cedo, o Pedro deixou a aldeia e guiou o rebanho até à serra, como fazia todos os dias, quando lá chegou, estava muito frio, o sol ainda se não via, olhou em direção à vila sede do concelho e, estranhamente viu muitas luzes, eram brancas, azuis, amarelas, verdes, um sem fim de cores. Depois de muito pensar o que seria que por lá estaria a acontecer, respirou fundo e disse para consigo. Com tantas luzes e de tantas cores, só pode ser feira!… E logo imaginou que não faltariam por lá os carrosséis, os carrinhos de choque, o circo, a barraca das farturas e tantas coisas bonitas, que raramente podia ver. Nesse mesmo instante decidiu… Na amanhã do dia seguinte depois de levar as ovelhas a pastar à serra, também ele havia de ir à feira. E assim fez, no dia seguinte, chegou a casa “arranjou-se” e pôs-se a caminho por veredas e atalhos depressa chegou à vila, as luzes cada vez pareciam mais, mas não encontrava o largo da feira,  continuou procurando, só que, depois da caminhada que fizera e de tanto procurar começava a sentir algum cansaço. Aquilo que imaginara ir ver não encontrava. Apenas via muitas pessoas numa correria louca, carregadas de sacos de plástico e de vários embrulhos, e a feira não encontrava.

Aproximou-se duma velhinha e perguntou: senhora pode informar-me onde fica o local da feira? A velhinha sorriu e disse—, olha menino, de facto parece uma feira mas não é! Começa hoje a época de natal aqui na vila e a Câmara Municipal mandou iluminar as ruas para ficarem mais bonitas e para que mais gente venha até cá, e assim, os comerciantes possam fazer mais negócio.

O Pedro agradeceu à velhinha a informação prestada, cansado, triste, e desiludido voltou à sua aldeia. Era tempo de natal, mas apesar de muito caminhar coisas que lhe fizessem lembrar essa época ele não encontrara. O presépio como sempre havia na sua aldeia ou a pequena árvore de natal não vira em nenhum lado. Desejava contar à mãe, viúva há já alguns anos a desilusão que tinha sido a sua ida à vila. Mas também não pôde, porque ela se encontrava doente, internada no hospital de uma cidade distante. No regresso a casa pensou… como é lindo o natal na minha aldeia! Onde o menino Jesus é o centro da festa, e as crianças, mesmo as que não recebem prendas, conseguem ser felizes.

António  EJ Ferreira

 

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