Gestor de Ausências

2014-01-15 escuro 001 

Quando ao entardecer da vida nos transforma-mos de guardadores de sonhos em gestor de ausências

É o tempo que não volta.

A saúde que nos abandonou.

Aquela mulher que um dia nos olhou ternamente, mas não deixou o seu contacto.

Alguns amigos que supúnhamos ter, ao mais leve estremecer se evaporaram.

Alguém que disse sim com a voz… e não com o pensamento.

O passarinho que todos os dias cantava à nossa janela, e o gato um dia, devorou.

 O caminho por onde passávamos, já lá não está.

Alguém, que era única, e um dia a morte levou.

Ainda há quem diga, ele já nada faz.

 

António EJ Ferreira