Quando o sol escurece…

O tempo! o tempo passa depressa, e o que ontem era lindo hoje pode não ser…A vida, por vezes, leva-nos para sítios onde nunca imaginámos que tal pudesse acontecer, mas acontece. Não raramente torna-se necessário fazer mudanças radicais no nosso comportamento para procurar um novo equilíbrio. Para tal, é preciso: primeiro, arrumar bem o passado e não lamentar nada do que fez. Aquilo que poderia ter feito e não fez, esqueça!

Procure para companhia alguém com pensamento positivo, tente não se deixar subjugar por vícios, pois, não raramente, são a causa maior de uma derrota que tantas vezes sem eles seria possível minimizar ou mesmo evitar. Procure escutar pessoas que sabem daquilo que falam. Evite aqueles que sabem tudo… e quando algo corre mal a culpa é sempre dos outros.

Escolha coisas que o ajudem, e essas por estranho que pareça, muitas vezes podem ser encontradas nas grandes dificuldades porque passou. Se as ultrapassou, também as que possa estar a viver agora podem ser ultrapassadas … não se dê nunca por vencido. Lembre-se que depois de cair no fundo de um poço não se pode descer mais… mas voltar ao cimo pode ser possível! Se assim não fizer fica preso a um tempo, que no seu tempo, jamais voltará.

António EJ Ferreira

 

 

 

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Onde a falta de vocação mais se faz sentir

Se a falta de vocação faz toda a diferença para quem exerce qualquer profissão, existem duas onde ela mais se faz sentir. Todos nós, ao longo da vida, uns mais atentos outros menos, somos confrontados com pessoas a exercer determinados serviços para os quais é bem visível não terem vocação. Dirão alguns mas isso é normal! Claro que é! Se forem trabalhadores de uma qualquer empresa cabe aos gerentes saber se os devem manter ou não. Se trabalharem por sua conta serão os próprios a sofrer as consequências dessa falta. Até aí tudo normal, mas existem situações em que as coisas não funcionam assim.

As duas classes a que me refiro e, onde em meu entender tal não devia acontecer são as classes médicas e de enfermagem. Depois do décimo segundo ano basta possuírem os valores que tornam possível o acesso a essas carreiras, tal facilitismo, por vezes, acarreta consequências que mais tarde se fazem sentir com prejuízo na maioria dos casos para o serviço nacional de saúde e, sobretudo para os doentes que se sentem impotentes quando confrontados com tal situação em que o transtorno emocional provocado chega a ser de tal ordem que só quem alguma vez o viveu sabe o que custa…

Se, são uma minoria os profissionais que exercem estas profissões para as quais não tem vocação, talvez fosse fácil de resolver se, para tal, mesmo possuindo os valores que dão acesso a essas carreiras fossem sujeitos a um teste de vocação. Será difícil de implementar talvez! Mas todos teriam a ganhar, mesmo alguns a quem o acesso fosse vetado, como pessoas inteligentes que são, certamente escolheriam outra área onde pudessem vir fazer aquilo para que tem vocação, e quem faz o que gosta na vida esta torna-se sempre mais fácil.

Sou possuidor de algumas doenças crónicas entre elas a asma que já me faz companhia há cerca de trinta e cinco anos, o que me leva a quando o inverno chega, normalmente, tenha de recorrer ao hospital, durante todos estes anos, algumas vezes, tenho sido confrontado com situações difíceis, que me escuso a relatar pois seria lembrar momentos de sofrimento, talvez por isso este meu reparo na tal falta de vocação, de alguns médicos.

António EJ Ferreira

 


Escola de música

Porque existem tantos músicos na nossa aldeia

Todos, ou quase todos sabemos que o passado deve ser bem arrumado, não para o esquecermos, mas para não lhe andarmos constantemente aos tropeções, que por vezes nos provocam danos desnecessários. Não o devemos esquecer, se mais não for para podermos saber como chegaram até nós coisas que hoje existem e nos parece normalíssima a sua existência, quando na verdade, muitas foram extremamente difíceis de alcançar onde só a capacidade de sofrimento e a vontade de chegar sempre mais além, de alguns, tornaram possível.

Na nossa aldeia são muitas as situações que merecem chegar ao conhecimento dos mais novos, porque sabermos de onde vimos será sempre uma mais-valia quando pensamos no futuro. Esta de que vos vou falar tem a ver com a enorme quantidade de músicos que atualmente existem nos Molianos. No princípio da década de oitenta do século passado, a viver na nossa terra não havia nenhum, num tempo já distante houve alguns, mas todos muito limitados nos seus conhecimentos musicais, próprio da vida de uma aldeia distante de quase tudo, em que as pessoas por vezes se deslocavam para muito longe ver aqui mas apenas para procurar trabalho…

Nos fins da década de setenta do século passado, teve lugar a cerimónia de lançamento da primeira pedra, com a qual foi dado início à construção da sede do Clube Cultural e Recreativo Moleanense, alguém achou por bem formar um grupo de rapazes e raparigas para cantarem e dançaram contribuindo assim para dar ainda mais alegria evento. As pessoas da terra gostaram e alguns jovens desse tempo decidiram formar um “rancho  a que deram o nome de Flor do Alecrim.

Mesmo sem qualidade folclórica, o grupo foi andando por aí… cerca de três anos, altura em que várias pessoas entraram para o rancho, tudo gente jovem,  ao mesmo tempo outros se afastaram, foi a partir dessa data que se  iniciou um vasto trabalho de pesquisa e recolha de tudo que tinha a ver com os Molianos e a sua gente, e assim começaram a ser feitas as muitas alterações que vieram a justificar o nome dado ao grupo, deixando de ser Flor do Alecrim, passando a chamar-se Rancho Folclórico dos Moleanos.

casa da agostinha Nº 2

A tocata do rancho Folclórico dos  Moleanos por volta de 1985, era composta pelos acordeonistas, Maria do Carmo Cristiano e José Café, no cântaro o Augusto da Costa, no reco-reco o Luís Pavoeiro, nos ferrinhos o José Eduardo, na cana rachada o Francisco Casal, a Irene Carreira a  Etelvina Fonseca e o António Eduardo eram os cantadores.

Mas a dificuldade maior ainda estava para vir, nos fins do ano de 1986 o grupo esteve na iminência de acabar por falta de acordeonistas, depois do afastamento dos dois que mais tempo estiveram nos primeiros anos, foram contactados vários, mais de uma dezena, alguns mesmo de fora da nossa região para os substituir, trabalho que teve como principal obreiro o Manuel Carreira, mas que se revelou infrutífero, quase todos disseram não e os poucos que vieram experimentar não se conseguiram integrar.

Depois de todas essas tentativas sem resolução à vista, o Manuel teve a feliz ideia de pensar em formar uma escola de música, não se ficando apenas pela ideia, mas logo procurou saber de um professor que estivesse interessado no projeto. O José Bértolo da Silva falou-lhe no professor Sr. Álvaro Correia Guimarães, seu conhecido e de quem era amigo, no dia a seguir a terem tido essa conversa, lá foram os dois a Alcobaça falar com o senhor professor, que desde logo se prontificou a vir tentar em conjunto com a direção do rancho a formação de uma escola de música nos Molianos, exigindo apenas que o fossem buscar e levar pois não tinha meio de transporte, comprometendo-se desde logo o Manuel Carreira a assumir essa responsabilidade. Combinaram o dia da apresentação do professor aos “potenciais” músicos que viria a ter lugar no salão junto à igreja, onde a escola funcionou nos primeiros anos, durante esse período tiveram lugar obras de remodelação, o que levou a que as aulas durante alguns meses tivessem lugar no sótão da igreja, até o rancho ter a sua sede no lagar do barreirão.

E assim conforme o combinado, no dia cinco de Janeiro de mil novecentos e oitenta e sete cerca das vinte e uma horas, lá estava o professor Guimarães onde o esperavam os vários candidatos a aprender música, os que estiveram presente nesse dia foram: o Manuel Carreira, José Silvestre, José Miguel, Luís Pavoeiro, Silvério (do Casal da Charneca), Irene Fialho, Conceição Fialho, Bruno Lourenço, Sérgio Jerónimo, Nuno Pavoeiro, Catarina Pavoeiro, Carlos Severino, José Balbino, António E. Jerónimo, Dr. Manuel Luís, e Rafael Félix de Sousa.

O Sr professor foi chamando um a um fazendo a todos umas breves perguntas em forma de teste tentando saber das qualidades musicais dos potenciais músicos tendo em vista aprender música que todos diziam querer. Depois de os ouvir teve uma expressão curiosa mas muito a seu jeito, todos tem pouco jeito para a música mas não vão desistir no primeiro dia, a música para alguns é difícil de aprender mas não impossível.

A observação que fez naquele dia veio a confirmar-se uns meses mais tarde, dos que estavam presente e passaram a frequentar a escola todos aprenderam alguma coisa de solfejo, mas quanto a tocar qualquer instrumento, apenas um, o Silvério. Quando se atira a semente à terra há que esperar que ela germine e venha a produzir… e foi o que aconteceu a “semente” foi lançada e os resultados estão à vista de todos, o rancho passado algum tempo passou a ter acordeonistas em “excesso”. Atualmente existem dezenas de músicos, não só na nossa terra mas também de aldeias vizinhas que aprenderam na escola de música do rancho folclórico dos Moleanos.

Durante algum tempo as coisas não foram fáceis para manter a escola em funcionamento, depois de muitos músicos ali terem aprendido e o rancho não precisar  de mais naquela altura, a falta de sensibilidade de alguns diretores do grupo daquele tempo e a escassez de verbas para pagar ao professor, levou algumas vezes a ter de ser o Manuel Carreira a resolver a situação pagando do seu bolso os meses em atraso.

O tempo passa e as coisas mudam, mas não devemos esquecer nunca, aqueles que de forma voluntária se dispuseram a trabalhar a bem da comunidade sem nada exigir em troca, a não ser o respeito pelo trabalho e esforço despendido.

Se o Manuel não tem tido aquela feliz iniciativa, na nossa terra haveria todos os músicos que hoje existem? O rancho ainda existiria?

Depois das obras feitas, normalmente aparece sempre muita gente a dizer que também eu era… mas como diz o povo, o falar é barato e o mar é de água. Façam e provem assim que são capazes… deixem de fazer parte do grupo daqueles que sabem como tudo se faz, só não sabem é fazer.

António EJ Ferreira


Caminheiros

Caminhar faz bem todos já ouvimos esta frase, não raramente dita por gente da área da saúde o que devia levar as pessoas a acreditar, mas nem sempre assim é, diz o povo e com razão depois de casa roubada trancas na porta.

Os que vemos por aí muitas vezes a caminhar com regularidade,na sua maioria são pessoas que tem, ou já tiveram problemas de saúde e, a quem o médico de família ou outros disseram, tem que caminhar porque a sua saúde assim o exige, ou aquele que tem que ser operado ao coração e a quem o médico diz, você vai ter de perder alguns quilos antes de ser operado, então aí as pessoas fazem aquilo não imaginavam ter que fazer, caminhar, caminhar até perder algum peso.

Dizem alguns, eu também gostava mas não posso, doem-me as pernas, outros tem dores na coluna, alguns dizem que sofrem do coração, é verdade que algumas pessoas não podem, mas a maioria entende  que é melhor estar algumas horas sentado em vez de andar por aí caminhando pelo meio  mato a subir e a descer a serra. Cada um sabe de si, eu tenho motivos para para pensar de modo diferente, por isso vou caminhando…há já alguns anos também eu tinha saúde, depois de fazer uma caminhada mesmo pequena, ficava “arrasado”com dores nos músculos que se prolongavam por dois ou três dias. Hoje, “carregado” de doenças e com o peso dos sessenta e três anos, caminho três ou quatro horas por serras e vales, é verdade que me canso, mas dores nos músculos há muito que não sinto depois de fazer uma caminhada…

Para além de fisicamente nos sentir-mos melhor, mentalmente as vantagens são ainda maiores. Caminhar por entre pedras, carrascos, alecrim, rosmaninho, sentir algumas silvas que por vezes até deixam a sua marca, para além de uma enorme variedade de outras plantas que abundam na serra dos candeeiros onde nesta altura sobressai a flor amarela do piricão, assim como as muitas aves Ver aqui que por vezes nos fazem companhia, quando o tempo está limpo, podemos olhar o mar até onde a vista alcança, é maravilhoso.

Pergunte ao seu médico se pode caminhar, se a resposta for sim, então caminhe, vai ver que merece a pena.

Costumo caminhar sozinho, mas como prefiro bem acompanhado a andar só, ultimamente tenho tido alguns colegas, conforme as fotos publicadas neste trabalho.

A primeira foto é a minha,António EJ Ferreira, caminhava-mos a cerca de duzentos metros a norte do arco da memória.

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O último a caminhar na serra comigo foi o Manuel Balbino, diz ele, há já umas dezenas de anos que não subia até ao cimo da serra.

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O  José da Silva encostado ao bastão, estávamos a descansar, depois de termos atravessado a serra, descido até ao Arrabal, passamos por Arrimal e subimos até ao arco da memória, já tinha-mos três horas de caminhada, depois de alguns minutos de paragem, poucos, descemos em direção aos Molianos o que também não é nada fácil dado a inclinação do trilho por nós utilizado.

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O último é Arsénio Faustino, caminhava-mos entre a Portela do Pereiro e o  arco da memória.

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Os Vícios da Pessoa e, a Pessoa Sem Vícios

 

Depois de muito pensar e confrontar muitos desses pensamentos, parece-me… ter conseguido descodificar a causa que me tem enredado numa enorme confusão durante muitos anos. E a causa principal é: ausência de vícios!..

A ausência de vícios é uma das maiores barreiras que se opõe à socialização da pessoa por exemplo: nos tempos que correm não são muitos os que estão preparados para entender pessoas que não só não fumam, como tem dificuldade em perceber a razão que leva os outros a praticar tal ato, que pode ter consequências gravíssimas para a sua saúde, assim como, para aqueles que estão por perto ou frequentam os mesmos locais.

A pessoa que gosta de comer apenas o essencial, não sendo um devorador de comida: não raramente tem a “oposição,” daqueles que assim não procedem mesmo que tenham de andar afogados em água mineral para ajudar a digestão; é logo acusado de ser alguém que não come para não gastar o dinheiro, ou porque tem medo que a comida lhe faça mal, ou nem come para não…

Aquele que é capaz de beber, mas que não bebe porque outros o fazem só para os acompanhar, quando a sua mente lhe pede para que o não faça, logo é sujeito a uma serie de “mimos” que em nada contribuem para facilitar a integração no grupo.

Aquele que discute e berra a alta voz quando lhe parece que a sua equipa foi prejudicada pelo árbitro, sem procurar colocar-se no lugar de quem é obrigado a decidir em segundos e, que na maioria dos casos até tem razão. O que que não é fanático consegue ver mais friamente e quase sempre de forma mais clara, mas logo tem que ouvir dos outros; porque te calas quando a nossa equipa está a ser prejudicada?

Ou aquele que seguindo a religião em que foi educado não o faz de forma (incondicional e cega), não raramente é acusado de ateu ou coisa parecida. “Maldita falta de vícios” que faz com que a maioria do tempo eu tenha de caminhar só. Por mais que tente é a única saída que me permite estar bem comigo, e não aborrecer os outros.

Um desprovido de vícios gosta das mesmas coisas que os outros gostam, só que de uma maneira diferente, sem ser dependente, sem fanatismos. Mas luta por aquilo em que acredita afincadamente, procurando não se preocupar muito com o que outros possam achar do seu comportamento. Porque por mais que se esforce para querer ser como eles, jamais o conseguirá. Pode parecer estar a integrar-se durante algum tempo, mas lá virá o dia em que tudo se desmorona e, não raramente, se culpa a si próprio por ter querido ser como aqueles que não pensam como ele. A única diferença entre aquele que tem vícios e o que não tem é: o primeiro quando confrontado com determinadas situações, não consegue dizer não. O outro aciona o seu auto- controlo e não cede…

Não ter vícios, é uma situação nem sempre fácil de gerir e, por vezes de difícil integração na sociedade, mesmo não o desejando não vai tardar o dia em que sem dar por isso fica a falar sozinho…

Algumas das coisas que deve fazer para combater essa situação, que pode levar a pessoa a auto- isolar-se do ambiente que o rodeia” o que não é nada conveniente”: é por exemplo, procurar estar sempre à vontade, quando tiver necessidade de aparecer em locais onde o social é por demais evidente, aumentar o conhecimento nas mais variadas áreas que lhe for possível (se o saber é bom para todos), é fundamental para os desprovidos de vícios, não lamentar essa situação que por vezes pode condicionar o seu comportamento. A sua diferença em relação a muitos outros pode ser um fator de qualidade, (e muitas vezes uma mais valia)…

Se não for possível a aproximação, diga bom dia ou boa tarde… àqueles com quem se cruze e, sempre que tiver de intervir, não se preocupe se isso agrada a todos ou não. Agradar a todos nunca será possível, por vezes, até parece, mas isso deve-se à cobardia de alguns que normalmente batem “palmas” só para não passarem despercebidos, quando o que lhe apetecia era dar palmadas.

A ausência de vícios ao contrário daquilo que possa parecer pode tornar a vida mais fácil: permite resolver algumas situações difíceis em que é capaz de auto- impor as limitações que as circunstâncias exigem, consegue gerir melhor a saúde, ou a falta dela, reage melhor a possíveis dificuldades económicas, e consegue ter mais tempo para se dedicar aquilo gosta, ou lhe dá prazer.

Resta-me dizer que estou quase sempre só, ainda que no meio de muita gente, “mesmo podendo não parecer”. Tenho pena que assim tenha de ser, pois preferia estar sempre bem acompanhado a ter que estar só

António EJ Ferreira

 


Como coisas simples podem fazer alguém feliz

Há, coisas simples que pelo impacto que provocam nos intervenientes, estes jamais as esquecerão.

Nas vésperas de Natal do ano que há pouco terminou, entenderam as catequistas que ministram catequese na capela de Molianos “e a meu ver bem,” levarem as crianças a visitar alguns idosos, em particular aqueles que se encontram só, em que um dos cônjuges já faleceu. As crianças, para além de proporcionarem momentos de rara felicidade aos idosos que visitaram, oferecendo bolos e cantando versos alusivos à época. Contribuíram para ajudar a minimizar alguns momentos menos bons, que não raramente a solidão que a idade e ausência sempre provocam, os leva a pensar muitas vezes, porquê… tantos sacrifícios ao longo da vida se agora sou votado ao esquecimento.

Também as crianças, para além de não esquecerem aqueles momentos de convívio com os idosos. Se continuarem a ser alertadas para os problemas com que os mais velhos se confrontam nos tempos em que vivemos, poderão no futuro, vir a ser uma geração mais atenta e interessada por aqueles, a quem o peso dos anos tantas vezes confina ao seu espaço. Se não tiverem alguém que os visite, serão muitos os momentos em que terão por companhia… apenas a tristeza.

É de realçar e agradecer aos mentores a ideia que tiveram. Pois são estas pequenas coisas que tantas vezes, fazem a diferença e contribuem, para proporcionar momentos de felicidade aqueles que há muito entraram no Outono da vida e, já não é muito o que dela esperam.

António EJ Ferreira. 5/1/2013


Coletividades e a confusão que reina por aí

Com o fim das guerras coloniais, a instauração do regime democrático, e a melhoria das condições sociais e económicas das pessoas. Bastava, aparecer alguém com capacidade de liderança e vontade de fazer coisas… para que quase todos o seguissem. E foi assim, que apareceram e se desenvolveram muitas das Coletividades, em vilas e aldeias um pouco por todo lado, preenchendo em parte, o vazio que se começava a fazer sentir devido à falta de espaços, para que se pudessem realizar determinadas atividades, que em consequência da nova realidade começavam agora a surgir, sobretudo, de âmbito social.

Saindo do quase nada, tudo pensou em grande… mas ao mesmo tempo, quase ninguém se lembrou de pensar na sustentabilidade das mesmas em termos de vida própria, há época, era aceitável que assim fosse, atendendo às grandes e rápidas transformações da sociedade que aconteceram por essa altura. Enquanto houve casamentos, batizados, bailaricos, festas de aniversário e outras, “assim como dificuldade na mobilidade das pessoas”, a ausência de vida própria das coletividades ia sendo de algum modo compensada por esses eventos. Mas essa onda passou. E, há já muito tempo, que é por demais evidente a necessidade de adaptação das mesmas à nova realidade com que somos confrontados. Dando-lhe uma vida nova, e assim dar seguimento ao trabalho difícil (atendendo ao tempo em que aconteceu), feito pelos seus fundadores, com o apoio incondicional das populações.

Alguns apercebendo-se disso, tem clamado no deserto, outros, remeteram-se ao silêncio, mas ambas as tendências há muito chegaram à conclusão, que as atividades recreativas, o desporto, a cultura, e agora mais do que nunca a componente de solidariedade social, não podem estar apenas no nome das instituições, ou nos estatutos, das chamadas Coletividades…

Pensam alguns, (não quero acreditar que seja a maioria), que basta ter um bar em funcionamento, e logo, é obrigação de todos colaborarem com quem está à frente dessas instituições. Outros continuam a pensar que as autarquias têm de continuar a dar o seu apoio. E alguns políticos, como passam grande parte do tempo do seu mandato a pensar nos votos das próximas eleições, vão-lhes fazendo a vontade, embora, sabendo, que não é esse o interesse das pessoas das zonas onde as mesmas estão inseridas.

Começa a ser tempo de dizer basta! Os apoios sejam eles institucionais ou não, devem ter em conta os fins a que se destinam, (ou deviam destinar) e não, à satisfação e capricho de alguns, que assumem determinadas lideranças, não raramente, mobilizando à sua volta pessoas cheias de boa vontade, mas com pouca visão de futuro no que às coletividades diz respeito. Por vezes, pensando ainda em projetos faraónicos que não tem nada a ver com a realidade.

Que se apoiem as coletividades que desenvolvem um trabalho válido nas zonas onde estão inseridas, porque essas merecem tudo, e o futuro se encarregará de o provar, e não como muitas vezes acontece, em que a distribuição de apoios é feita por igual, a todos. Bastando para tal estar registada com o nome pomposo de, Coletividade de Cultura Desporto e Atividades Recreativas, quando na verdade, em grande parte nada disso lá existe. Talvez seja tempo de alertar as pessoas possuídas de grande generosidade, que em certas circunstancias com que somos confrontados na vida, a melhor ajuda que se pode dar, é simplesmente, não ajudar…

É altura de políticos e outros líderes a nível local, tomarem consciência de que pouco valem as grandes obras, se estas não estiverem ao serviço do povo naquilo que é mais elementar. Nos conturbados momentos porque estamos a passar, elas deveriam contribuir de forma salutar, para que os jovens pudessem ter uma vida mais equilibrada, promovendo a sua ocupação nos tempos livres, sempre que possível no sítio onde vivem, porque se assim fizerem, certamente que o futuro será bem melhor para todos. E o mesmo deveria acontecer com os mais idosos, para que depois de uma vida de trabalho, não venham muitas vezes a sofrer em silêncio, por constatarem, que são considerados como uma mercadoria em fim de prazo, mas mais grave ainda, aos olhos de alguns, pouco mais são de que lixo. Triste realidade, mas é a que temos…

Há um alerta que nunca é demais lembrar aos menos velhos, é que o tempo passa depressa, e a continuarmos assim, também eles mais cedo que a maioria imagina, irão lamentar não terem olhado com mais atenção, durante o percurso que é a caminhada da vida.

Quero deixar aqui o meu reconhecimento a quantos, mulheres e homens de todas as idades e alguns jovens então muito novos, que trabalharam afincadamente sem pensar em agradecimentos ou outras benesses para si. Mas para que a sua terra se tornasse um espaço onde fosse mais fácil viver. Trabalho esse, que nem sempre tem tido a melhor continuidade. Muitos já não fazem parte do número dos vivos. Espero, que os ventos da história um dia soprem de feição, e não os deixem cair no esquecimento.

Opiniões a respeito das Coletividades!… Existem muitas. Esta é a minha!

António EJ Ferreira