Os Vícios da Pessoa e, a Pessoa Sem Vícios

 

Depois de muito pensar e confrontar muitos desses pensamentos, parece-me… ter conseguido descodificar a causa que me tem enredado numa enorme confusão durante muitos anos. E a causa principal é: ausência de vícios!..

A ausência de vícios é uma das maiores barreiras que se opõe à socialização da pessoa por exemplo: nos tempos que correm não são muitos os que estão preparados para entender pessoas que não só não fumam, como tem dificuldade em perceber a razão que leva os outros a praticar tal ato, que pode ter consequências gravíssimas para a sua saúde, assim como, para aqueles que estão por perto ou frequentam os mesmos locais.

A pessoa que gosta de comer apenas o essencial, não sendo um devorador de comida: não raramente tem a “oposição,” daqueles que assim não procedem mesmo que tenham de andar afogados em água mineral para ajudar a digestão; é logo acusado de ser alguém que não come para não gastar o dinheiro, ou porque tem medo que a comida lhe faça mal, ou nem come para não…

Aquele que é capaz de beber, mas que não bebe porque outros o fazem só para os acompanhar, quando a sua mente lhe pede para que o não faça, logo é sujeito a uma serie de “mimos” que em nada contribuem para facilitar a integração no grupo.

Aquele que discute e berra a alta voz quando lhe parece que a sua equipa foi prejudicada pelo árbitro, sem procurar colocar-se no lugar de quem é obrigado a decidir em segundos e, que na maioria dos casos até tem razão. O que que não é fanático consegue ver mais friamente e quase sempre de forma mais clara, mas logo tem que ouvir dos outros; porque te calas quando a nossa equipa está a ser prejudicada?

Ou aquele que seguindo a religião em que foi educado não o faz de forma (incondicional e cega), não raramente é acusado de ateu ou coisa parecida. “Maldita falta de vícios” que faz com que a maioria do tempo eu tenha de caminhar só. Por mais que tente é a única saída que me permite estar bem comigo, e não aborrecer os outros.

Um desprovido de vícios gosta das mesmas coisas que os outros gostam, só que de uma maneira diferente, sem ser dependente, sem fanatismos. Mas luta por aquilo em que acredita afincadamente, procurando não se preocupar muito com o que outros possam achar do seu comportamento. Porque por mais que se esforce para querer ser como eles, jamais o conseguirá. Pode parecer estar a integrar-se durante algum tempo, mas lá virá o dia em que tudo se desmorona e, não raramente, se culpa a si próprio por ter querido ser como aqueles que não pensam como ele. A única diferença entre aquele que tem vícios e o que não tem é: o primeiro quando confrontado com determinadas situações, não consegue dizer não. O outro aciona o seu auto- controlo e não cede…

Não ter vícios, é uma situação nem sempre fácil de gerir e, por vezes de difícil integração na sociedade, mesmo não o desejando não vai tardar o dia em que sem dar por isso fica a falar sozinho…

Algumas das coisas que deve fazer para combater essa situação, que pode levar a pessoa a auto- isolar-se do ambiente que o rodeia” o que não é nada conveniente”: é por exemplo, procurar estar sempre à vontade, quando tiver necessidade de aparecer em locais onde o social é por demais evidente, aumentar o conhecimento nas mais variadas áreas que lhe for possível (se o saber é bom para todos), é fundamental para os desprovidos de vícios, não lamentar essa situação que por vezes pode condicionar o seu comportamento. A sua diferença em relação a muitos outros pode ser um fator de qualidade, (e muitas vezes uma mais valia)…

Se não for possível a aproximação, diga bom dia ou boa tarde… àqueles com quem se cruze e, sempre que tiver de intervir, não se preocupe se isso agrada a todos ou não. Agradar a todos nunca será possível, por vezes, até parece, mas isso deve-se à cobardia de alguns que normalmente batem “palmas” só para não passarem despercebidos, quando o que lhe apetecia era dar palmadas.

A ausência de vícios ao contrário daquilo que possa parecer pode tornar a vida mais fácil: permite resolver algumas situações difíceis em que é capaz de auto- impor as limitações que as circunstâncias exigem, consegue gerir melhor a saúde, ou a falta dela, reage melhor a possíveis dificuldades económicas, e consegue ter mais tempo para se dedicar aquilo gosta, ou lhe dá prazer.

Resta-me dizer que estou quase sempre só, ainda que no meio de muita gente, “mesmo podendo não parecer”. Tenho pena que assim tenha de ser, pois preferia estar sempre bem acompanhado a ter que estar só

António EJ Ferreira

 

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