Há sonhos assim!

Certa noite acordei sobressaltado, tinha estado a sonhar que ouvi o lagar do Barreirão, muito triste, a falar de si…

Depois de acalmar daquele pesadelo, tentei reconstruir o que em sonho tinha ouvido…

Então o que o lagar dizia era assim. Quando era novo, fui o orgulho desta terra, fiz a felicidade de muitos, fui espaço de trabalho de confraternização e de tantos momentos de alegria entre o povo, sobretudo quando a safra era boa.

Era altaneiro e elegante para a época, rodeado de altos muros, bem construídos, sempre bem caiados com barras de cor diferente que me faziam ainda mais bonito  não faltavam as floreiras, onde entre outras flores sobressaiam as sardinheiras. A casa no primeiro andar era tipo senhorial, onde hoje já não posso ir, o soalho está podre e cheio de buracos, e eu já velhinho, posso cair para o armazém que se situa por baixo,  depois ninguém me vai acudir.

Já lá vão uns bons anos anda por aqui uma rapaziada que me deixaram cair no esquecimento, gostam muito de passear  mas eu tenho dúvidas… que eles saibam porque passeiam. Há uns tempos atrás quando o motor ainda trabalhava, era como se o passado chegasse até aos dias de hoje. Mas o motor já não trabalha! A caldeira onde o povo se juntava quando fazia frio, e enquanto a sua medura era feita, já não está lá, apodreceu e caiu.

O que era o poço de água é agora uma fossa. Tem sido muito o frio porque tenho passado sempre que chega o inverno, pois há já muito tempo que algumas janelas tem os vidros partidos. Quem diria! Que eu chegava ao estado lamentável em que me encontro.

O que aconteceria aos meus contemporâneos se por cá aparecessem agora e vissem alguns homens e mulheres que por aqui andam formando um grupo que diz ser para preservar os seus usos e costumes, assim como o legado por eles deixado. Provavelmente voltariam a morrer de novo, só que agora de desgosto por serem tão mal tratados por quem se arvora Ver aqui em seu defensor… Povo da minha terra digam a esta gente que pensem bem no que me andam a fazer, por favor não me agridam mais, pois a continuar assim,  em breve irei cair e jamais alguém me levantará.

Com muita angústia, o Lagar do Barreirão…

António EJ Ferreira

Anúncios


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s